domingo, setembro 15, 2024
sexta-feira, fevereiro 23, 2024
domingo, outubro 11, 2020
11ª Bienal Internacional de Arte Jovem de Vila Verde - De 17 de Outubro a 27 de Novembro - Visite a exposição em bienaljovem.wix.com/vverde ou em www.cm-vilaverde.pt
Estas duas obras seleccionadas para a Bienal pertencem a uma colecção de trabalhos a acrílico sobre tela de dimensões reduzidas intitulada “Jardim Proibido” . Constituem composições que sugerem motivos florais, de arbustos ao sabor do vento, de imagens ondulantes de personagens etéricas a passear num suposto jardim idílico, repleto de luz, mas de acesso interdito àqueles que ainda desejam regressar à aparente realidade do mundo em que nós vivemos.
O carácter abstracto da pintura do Vincent concede sempre ao observador a sua leitura e interpretação individuais. Cada qual dirá o que lhe sugere estas manchas de cores vibrantes, que terão certamente um significado diverso consoante as crenças, vivências e subconsciente daquele que escolheu contemplar por momentos estas figuras.
Eu, mãe do pintor, visualizei claramente na primeira obra a imagem de um lírio encarnado dirigido para o canto superior esquerdo do quadro. O segundo trabalho acompanha o primeiro na mesma palete de tons, e equilibra, por oposição, a orientação daquele. Por esses motivos baptizei-o com o mesmo título. É certo que as duas obras complementam-se, reforçando-se mutuamente. Desconheço qual delas o Vincent prefere . . . Que cada qual eleja a sua preferida, ou perante a dificuldade em o fazer, que siga o meu conselho e faça como eu fiz: guarde as duas para sempre no seu coração.
Zélia Rocha
domingo, setembro 20, 2020
quinta-feira, junho 22, 2017
domingo, abril 05, 2015
sábado, março 21, 2015
quinta-feira, setembro 18, 2014
sábado, maio 24, 2014
"The Wolf Whistle"
quarta-feira, julho 18, 2012
Ebook "Reciclagem... Agora e Sempre!" de Vincent da Rocha Dioh e Zélia da Rocha - Julho 2012
Neste livro, Zélia Rocha relata a expressão artística do seu filho durante os anos 2007, 2008 e 2009, em que ele pratica a técnica de colagem e assemblage usando embalagens do dia a dia que rasga, cola e pinta sobre cartão.
Como é que o Vincent começou a fazer isso? Quando é que a sua mãe percebeu o que ele estava a querer realizar? Como se traduz no dia a dia a arte do Vincent? De que maneira o autismo afecta a vida dos dois?
A resposta a estas e outras questões encontra-se neste trabalho que transcreve de forma fiel o quotidiano de um jovem autista, que tem conseguido transmitir nas suas obras de arte o seu mundo interior.
Todo o texto é ilustrado por fotografias do Vincent nas suas actividades e das obras mais emblemáticas deste período da sua expressão plástica, que são apresentadas acompanhadas de minuciosa análise e interpretação.
quarta-feira, setembro 14, 2011
Exposição na Casa da Cultura da Trofa : "A Pintura Proibida"
Casa da Cultura da Trofa
Avenida Dom Diogo Mourato, Lagoa - Trofa
De 15 de Outubro a 9 de Novembro de 2011.
De terça a sexta das 10h ás 12h 30m e das 14h ás19h. Sábado das 10h ás 12h 30m e das 14h ás 17h.
“Pois bem, se o Vincent tivesse sido proibido, aos três anos de idade, de rabiscar as paredes e um pouco de tudo o que encontrava lá em casa, talvez hoje, decorridos cerca de 13 anos, não estaria a celebrar a sua 19ª exposição individual de pintura.
É em homenagem á liberdade que lhe foi concedida de pintar o que ele queria e como ele queria, contrariando o que as boas normas de educação ditavam na época, que a presente exposição se intitula “A Pintura Proibida”.
Saibamos aprender com as nossas crianças e jovens, que por caminhos inusitados nos ajudam a perspectivar novos horizontes e a conceber um mundo diferente que, convenhamos, é bem melhor do que aquele que alguma vez imaginamos poder presenteá-los por herança.”
Zélia Rocha – 2011
“Na sua pintura, essencialmente simbólica e abstracta, predomina a exuberância da palete de cores utilizada, a sobreposição de figuras e elementos diferentemente posicionados e um efeito surpreendente de dinamismo e movimento. “
“Das suas obras irradia luz e um espectro de energias sem limites. “
quinta-feira, abril 28, 2011
Exposição de Pintura na Exponor
terça-feira, abril 05, 2011
Exposição de Pintura na Sanimaia
Veja o video da inauguração em www.trofa.tv
Exposição venda
De 16 de Abril a 2 de Maio na Sanimaia
Parque Industrial Ibacoc
Rua das Industrias, Lantemil
4785 Trofa
Tel. 252 409 499
www.sanimaia.com
Acrílicos sobre tela de dimensões 80x60cm, 60x60cm, 50x50 cm e 50x40cm
Acrílicos sobre cartolina de dimensões 35x30cm e 30x25 cm
Trabalhos a pastel a óleo sobre cartolina de dimensões 35x30cm
segunda-feira, março 07, 2011
Arco-íris
Diferentes cores, diferentes energias reunidas num arco-íris de listras oblíquas, que desce do Céu á Terra em sinal de bom presságio.
Momento fugaz de êxtase, símbolo de boa ventura, anúncio de mudança dos tempos e das vontades.
Espectro de uma nova vida, que se adivinha pela fresta da cortina da tão esperada bonança que, finalmente, se avizinha.
Zélia Rocha
"Arco-íris"
2011
Pastel a óleo sobre cartolina, 30x25 cm
sábado, outubro 16, 2010
12 e 13 de Janeiro de 2011 - Leilão internacional de arte moderna e contemporânea - Paris
"L'Aborigène"
2006
Acrílico sobre tela, 80x60cm
Leilão internacional de arte moderna e contemporânea – Dominique Stal Expert (Tél: 00331 680920039 ou 00331 621981277 ou 00331 45574900) - www.drouot-live.com -
Maître Bertrand Fraisse Commissaire priseur
Exposição ao público: 12 de Janeiro de 2011 das 14h00 às 19h00 e 13 de Janeiro de 2011 das 9h00 às 12h00
Leilão: 13 de Janeiro de 2011 às 15h00
Local: Espace Moncassin, 164 rue de Javel, 75015 Paris
domingo, julho 25, 2010
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Exposiçao "Reciclagem... Agora e Sempre!" - De 13 de Fevereiro a 6 de Março de 2009, Pavilhão de Feiras e Exposições de Penafiel
Reciclagem... Agora e sempre!
Reciclagem... do interior, do exterior, do ambiente... Agora e sempre!
Reciclagem... de mim, de ti, de todos... Agora e sempre!
Reciclagem... do uso, do abuso, do desuso... Agora e sempre!
Reciclagem... do papel, do plástico, do vidro e de tudo... Agora e sempre!
Reciclagem... do ar, do mar, da Terra e dos Homens... Agora e sempre!
Reciclagem... usar, transformar, recriar e voltar a usar... Agora e sempre!
Reciclagem... usar, rasgar, colar, pintar... e voltar a olhar....
Agora e sempre!
Zélia Rocha
“Na Rota das Estrelas”
2008
105x205cm, colagem e assemblage sobre cartão de embalagem
“Anjo Azul”
2008
130x98 cm, acrílico sobre cartão publicitário
sábado, janeiro 10, 2009
V Bienal de Arte Jovem de Penafiel - 2008
sexta-feira, janeiro 09, 2009
Exposiçao "Diferenças" - Centro Unesco do Porto - 2007 - V Bienal Internacional de Arte Jovem de Vila Verde
Sem diferenças: na monotonia vive a melancolia, sem nada a assinalar, por nada conseguir destacar num universo sem opostos, sem movimento, estagnado no tempo, á espera da pedra angular, que a faça despertar do sono do absoluto total!
Com diferenças: na relatividade diversa vive o antagonismo; o belo emerge do feio, a saúde da doença, a tranquilidade da inquietação, o sorriso das lágrimas. Nesse mundo de dualidade, do pólo negativo se chega ao positivo e vice versa, numa espiral evolutiva, até que tudo seja experienciado, assimilado, resgatado e transcendido!
Das diferenças se chega á neutralidade e á libertação, ao caminho do meio, que permite passar, mas sem nunca tocar, entre os dois extremos: o negativo e o positivo!
Zélia Rocha
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Exposiçao "A Historia dos Pontos" - Anje - Biblioteca Florbela Espanca - Matosinhos - Clinica de Saude Integral - Porto - 2006 - 2007
Era uma vez um Ponto.
Ao princípio o Ponto nem sabia que era um ponto… Depois, com o passar do tempo, começou a tomar consciência de que realmente era um ponto… Então, ficou muito contente… e nesse contentamento desenvolveu-se e fortaleceu-se muito… Porém, com o passar do tempo, começou a ficar descontente… Afinal, por mais que se desenvolvesse e se fortalecesse não passava de um simples ponto… E, nesse descontentamento descontente, olhou para o Alto, e viu outro ponto, e nesse instante aconteceu um milagre, pois os dois pontos uniram-se e formaram uma recta sem princípio nem fim, que continha uma infinidade de pontos.
Ao princípio a Recta nem acreditava que era uma recta… Depois, com o passar do tempo, começou a tomar consciência de que realmente era uma recta… Então, ficou muito contente… e nesse contentamento desenvolveu-se e fortaleceu-se muito… Porém, com o passar do tempo, começou a ficar descontente…. Afinal, por mais que se desenvolvesse e se fortalecesse não passava de uma simples recta. A recta já se tinha esquecido de que tinha sido um ponto, e que agora continha uma infinidade de pontos… Então, nesse descontentamento descontente, a recta olhou para o Alto, e viu um ponto, e nesse instante aconteceu um milagre, pois a recta uniu-se ao ponto e formou-se um plano, que continha uma infinidade de rectas em todas as direcções.
Ao princípio o Plano nem acreditava que era um plano… Depois, com o passar do tempo, começou a tomar consciência de que realmente era um plano… Então, ficou muito contente… e nesse contentamento desenvolveu-se e fortaleceu-se muito… Porém, com o passar do tempo, começou a ficar descontente… Afinal, por mais que se desenvolvesse e se fortalecesse não passava de um simples plano. O plano já se tinha esquecido de que tinha sido uma recta, e que agora continha uma infinidade rectas; cada recta já se tinha esquecido de que tinha sido um ponto, e que agora continha uma infinidade de pontos…. Então, nesse descontentamento descontente, o plano olhou para o Alto, e viu um ponto, e nesse instante aconteceu um milagre, pois o plano uniu-se ao ponto e formou-se um espaço, que continha uma infinidade de planos cada qual com uma inclinação diferente.
Ao princípio o Espaço nem acreditava que era um espaço… Depois, com o passar do tempo, começou a tomar consciência de que realmente era um espaço… Então, ficou muito contente… e nesse contentamento desenvolveu-se e fortaleceu-se muito… Porém, com o passar do tempo, começou a ficar descontente… Afinal, por mais que se desenvolvesse e se fortalecesse não passava de um simples espaço. O espaço já se tinha esquecido de que tinha sido um plano, e que agora continha uma infinidade de planos; cada plano já se tinha esquecido de que tinha sido uma recta, e que agora continha uma infinidade de rectas; cada recta já se tinha esquecido de que tinha sido um ponto, e que agora continha uma infinidade de pontos… Então, nesse descontentamento descontente, o espaço…
Moral da História:
O Homem no planeta Terra encontra-se actualmente neste estado de descontentamento. Segue-se olhar para o Alto, ver um ponto, e deixar que o milagre aconteça.
Explicações:
Cada ponto corresponde a um estado de consciência.
O ponto tem dimensão zero, a recta dimensão um, o plano dimensão dois e o espaço dimensão três.
Os pontos foram todos criados ao mesmo tempo, mas o Homem toma consciência deles sequencialmente, ou seja, uns a seguir aos outros. A reunião de todos os pontos, ou de todos os estados de consciência, é Deus.
O olhar para o Alto corresponde à transcendência do estado actual. A descoberta de um novo ponto implica a criação de um novo estado, que contém uma infinidade de estados imediatamente anteriores. Não há como voltar atrás, o milagre já aconteceu. Depois, é preciso tomar consciência do facto, o que demora algum tempo. Seguidamente, virá o desenvolvimento ou expansão desse estado até aos seus limites naturais, e por fim o descontentamento, o que permitirá ao Homem transcender o estado em que se encontra e tomar consciência do seguinte. É assim que a Humanidade evolui por todo o Universo.
Conclusão:
O estado que se segue ao Homem no planeta Terra é a tomada de consciência do Mundo Espiritual ou Quarta Dimensão.
Anjo Azul
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Exposiçao "A Terra - O Brinquedo Maravilhoso" - CSI - Biblioteca Municipal de Espinho - 2005
A décima segunda exposição individual de pintura do Vincent, intitulada “A Terra - O Brinquedo Maravilhoso”, é dedicada ao Homem, à Natureza e ao nosso planeta. Este já foi o tema da sua sétima exposição, “À Descoberta de um Mundo”, mas surge agora mais aprofundado e com facetas inexistentes na mostra anterior.
A presente exposição reúne obras a acrílico, sobre tela e cartolina, datadas de Fevereiro a Agosto de 2004 e apresenta-se dividida nas seguintes séries: “Flores da Natureza”, “Mares”, “Reino Vegetal”, “Fúria da Natureza”, “Guerra”, “Agonia da Natureza”, “Operação Resgate”, “Reconstrução” e “A Nova Terra e O Novo Homem” e pretende narrar a transformação que levará a humanidade e o planeta do seu estado actual até a um estado novo.
Esta mostra começa por recordar o esplendor e a vivacidade da Natureza de outrora em obras plenas de cor, vida e exuberância, tão características da pintura do Vincent. Surgem assim os trabalhos: “Flores”, “Deus Marinho”, “Floresta Amazónica” e “Fogo Purificador”, entre outros. Seguidamente, retrata o modo como o meio ambiente se foi degradando pela acção dominadora do Homem. As cores vivas dos quadros vão-se apagando, tornando-se cada vez mais ténues e escuras, criando composições como: “Flor Nocturna”, “O Sacrifício das Árvores”, “Cinzas” e “Mar Morto”.
A falta de resposta da humanidade à crise ambiental em que o planeta se encontra, nomeadamente a contínua emissão para a atmosfera de gazes com efeito de estufa e o consequente aumento da temperatura global do planeta, vai provocar, cedo ou tarde, o desequilíbrio extremo da Natureza, traduzido por todo o tipo de catástrofes e epidemias. Assim, surgem as obras: “Tornado de Sangue”, “Tempestade de Areia”, “Chuva Torrencial”, “Seca Extrema”, “Tsunami”, “Subida das Águas” e “Arca de Noé”. Sabendo que a Terra não é um ser isolado, mas sim parte integrante do Universo, o seu desequilíbrio pode ter como consequência algo inesperado traduzido pelas obras dessa série devotadas à “Colisão da Bola de Fogo”.
O Homem continua preso na inércia dos seus hábitos, querendo manter um modo de vida que conduzirá a Terra e, por consequência, a si próprio, à morte. A recusa do controle da natalidade, a concentração demográfica em grandes metrópoles, o atraso no desenvolvimento de energias renováveis e não poluentes e na reciclagem rigorosa do lixo são exemplos de atitudes que há muito deveriam ter sido alteradas.
Quando os recursos naturais escassearem, nomeadamente o petróleo e a água, a guerra pelo domínio do pouco que resta neste nosso planeta será para alguns considerada legítima e consequência inevitável da lei da sobrevivência. É o que se traduz nas obras “Anjo Negro”, “Infeliz Lançamento”, “Os Dados Foram Lançados” e “Força Destruidora”.
Depois desse pontapé final, a série “Agonia da Natureza” retrata o que se passará quando o ponto de não retorno for atingido. Contém quadros chocantes, intitulados: “O Dia Seguinte”, “Homem Moribundo”, “A Crucificação da Terra”, “A Crucificação do Homem” e “O Fim Deste Mundo”.
Felizmente que a história não acaba assim. Retirados os sobreviventes da superfície da Terra pela “Operação Resgate” segue a “Renovação do Planeta”, onde as tintas negras das últimas séries são progressivamente drenadas nos quadros: “Reciclagem dos Escombros I e II”, “Reconstrução” e “Regeneração da Natureza”.
Por último, esta exposição termina com uma nota de esperança e alegria. Depois das difíceis dores do parto, nascem “A Nova Terra e O Novo Homem”, na qual as cores vivas e luminosas do Vincent voltam a estar patentes em obras plenas de esplendor, como a “Ressurreição” e “O Brinquedo Reconstruído”.
Possa esta exposição contribuir para uma maior tomada de consciência da situação actual do nosso planeta e do Homem, e do futuro próximo que se avizinha, de modo a que sejam cada vez mais numerosos aqueles que participem da fundação do novo mundo.
Zélia Rocha
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Exposiçao "Por Mares Nunca Dantes Navegados" - Universidade Moderna do Porto - 2004
O tema dos Descobrimentos Portugueses tem vindo a ser tratado ao longo da ainda curta, mas intensa, carreira artística do Vincent. A presente exposição intitulada “Por Mares Nunca Dantes Navegados” reúne obras datadas de 2001 a 2004, de várias técnicas e dimensões, que permitirão ao visitante observar, entre outras coisas, o percurso evolutivo do Vincent desde que começou a pintar até aos dias de hoje.
Esta exposição consiste numa ilustração, sui generis, do texto “Os Lusíadas”, do nosso muito querido e amado Luís Vaz de Camões, cujo nome é o título da obra que inaugura esta colecção de 19 quadros, obra essa, em que o maior poeta português surge posicionado de lado exibindo a pála no olho direito que perdeu em acidente ou combate, por terras do Norte de África, por 1549.
A viagem da descoberta do caminho marítimo para a Índia, com início em 1497, pelos navegadores portugueses Vasco da Gama, seu irmão Paulo da Gama, Nicolau Coelho e Gonçalo Nunes, é a epopeia dos Lusíadas, obra que Camões dedica, com grande pompa e aparato ao Rei de Portugal, o jovem Dom Sebastião, tragicamente desaparecido no célebre desastre de Alcácer Quibir, em 1578. Esta dedicatória é assinalada, nesta exposição, pelo segundo quadro, que retrata El-Rei Dom Sebastião montado a cavalo. O extraordinário desta obra é a forma como é conseguida a aparência do antigo, apresentando uma imagem quase imperceptível, como que apagada ou corroída pelo tempo.
O Poeta acompanha os feitos e peripécias dessa famosa viagem, e muito especialmente os fenómenos naturais, de elementos mitológicos greco-latinos, como mandavam as exigências do género épico. Assim, logo nos inícios do primeiro canto, estando já as nossas caravelas bem lançadas na costa africana, eis que os deuses do Olimpo se reúnem para decidir quanto ao destino das cousas futuras do Oriente. Reza Camões no seu Poema que, em tal discussão, muito por nós partido tomou Vénus, por se encontrar enamorada da alma lusitana. Foi, pois, com o auxílio da deusa do amor e da beleza, que a lenda diz ter sido criada a partir da espuma do mar, que os nossos navegadores puderam avançar ao longo de mares desconhecidos, vencendo correntes, tempestades e infortúnios.
O Vincent invoca a Deusa dos Descobrimentos em quatro obras, todas elas representando com clareza, mas também com subtileza, uma imagem feminina de formas sensuais, que surge, ora como que projectada pelo Sol nas águas marinhas, ora envolta em véus de espuma transparente. As embarcações dos nossos navegadores, surgem pacíficas, na obra, em tons de negro e azul, intitulada “Caravelas na Escuridão da Noite”, e ainda na composição “Nau Vermelha”. Os mares, com as suas correntezas, são personificados de forma simples, mas plena de autenticidade, no quadro “Oceanos”.
A nossa frota incluía, na sua tripulação, homens de variados e nobres ofícios. Foram escolhidos os melhores comandantes, requisitados os melhores pilotos, selecionados astrónomos, combatentes, diplomatas, homens do clero, intérpretes e muitos outros, que as exigências da viagem assim mandavam. Não nos esqueçamos, porém, do simples marinheiro ou soldado que, tal como Camões, serviu o Reino, por vezes a troco da liberdade de que algum infortúnio da vida o privara, com a força de quem, por tudo ter perdido, tudo de si mesmo entregava.
Tal viagem exigia algumas paragens obrigatórias, para reabastecimento de provisões e reparo da frota. Apesar de bons conhecedores, na época, da costa africana, o necessário entendimento com os nativos dessas paragens, de cultura, religião e tradições diferentes das nossas, nunca foi tarefa fácil e exigiu aos nossos navegadores cúmulos de diplomacia e riscos por vezes fatais. Além de tudo, uma das maiores missões do Reino consistia na evangelização desses povos, na expansão do cristianismo pelo mundo inteiro.
Na obra intitulada “África Minha”, uma das mais significativas desta mostra de pintura, surge, com surpreendente rigor, o mapa do continente africano representado a negro, lembrando os mapas e rotas que, com todo o empenho, se aprimoravam ao longo destas viagens.
O quadro, em tons de ocre e ouro, “A Crucificação”, onde figura finamente desenhado Cristo crucificado, invoca a evangelização portuguesa, assim como a fé e a confiança dos servidores do Reino no Filho de Deus na Terra, como provam as inúmeras vezes em que os nossos navegadores, no Poema, recorrem à Sua intervenção, nas aflições dessa epopeia.
Lembrando ainda os mapas existentes na altura, a obra “Mapa Hipotético” exibe um exuberante emaranhado de oceanos, lagos e continentes, mostrando bem quão longe estavam aqueles mapas dos que nós, na nossa época, possuimos.
Não se pode tratar o tema dos Descobrimentos sem citar com a devida pompa e circunstância as tempestades e os naufrágios, pesadelos de todos os que por esses mares navegaram, que ceifaram a vida de tantos portugueses, tendo por pouco sido o nosso Poeta um deles, quando na costa de Camboja, por 1560, junto à foz de Mecom, quase que se perdeu no mar, conseguindo, a muito custo, salvar a si e à sua obra, “Os Lusíadas”. Reza Camões que também Vasco da Gama e a sua frota esteve a pontos de se perder muito próximo do fim do seu itinerário. Essa tempestade, eloquentemente narrada pelo génio da literatura portuguesa, é acompanhada, nesta exposição, pelos quadros do Vincent “Tempestade”, “Nau Naufragada”, “Noite Escura” e “Relâmpados”.
Mas quis o Criador que a frota se salvasse, e que a seu bom porto chegasse, o navegador e a sua tripulação que, vislumbrando a prometida Índia, se prostraram com os joelhos no chão e as mãos aos céus, agradecendo a enorme graça recebida.
Vasco da Gama é retratado na obra “O Navegador e a Tromba Marítima”, onde surge à esquerda, em primeiro plano, tendo como pano de fundo, à direita, uma grande cascata, em alusão às ondas gigantescas, que a sua caravela, com éxito, torneou. A Índia surge no quadro “Um Novo Céu e Uma Nova Terra” envolta em brumas azuis e rosa, pois, segundo o nosso Poeta, foi de rosas que os cabelos enfeitaram as ninfas que, ao amanhecer; a tormenta, no mar, acalmaram.
Esta singular exposição inaugura, a 10 de Junho do ano de 2004, dia de Portugal, aniversário da morte de Camões, que morreu num hospital, em 1579, sem sequer possuir um lençol para se cobrir, pois de seu nada tinha, a não ser a missão cumprida, que é a maior riqueza que se pode levar desta vida.
Na Sacristia da Capela de Nossa Senhora das Dores e de São José, no Porto, esta exposição encerra com o quadro “Portugal”, onde o mapa do nosso país é pintado a azul e rosa triunfantes, lembrando a todos os portugueses que outrora este povo, por mares nunca dantes navegados, descobriu novas terras e novas gentes, dando assim novos mundos ao Mundo.
É, de facto, de espantar, que tamanha façanha tenha sido conseguida por tão pequeno país. De espantar é, igualmente, que o Vincent, criança de tenra idade, de nove anos apenas, além de tudo autista, possa assim pintar, cousas de tão graúda gente. Mas, o Criador tem destes caprichos… entregar grandes feitos a pequena gente!
Zélia Rocha
domingo, janeiro 04, 2009
Exposiçao "O Presepio de Belem" - CTEC - Universidade Fernando Pessoa - Clinica de Saude Integral - Porto - Galeria Arca das Letras -Gondomar - 2003
Conto de Natal
Era uma vez um menino de oito anos, que dava pelo nome de Vincent. Não era um menino como os outros. Diziam que vivia num mundo à parte, e que sofria de uma doença com um nome esquisito… síndrome de espectro autista.
Esse menino adorava pintar.
A pintura era a sua forma de comunicar aos outros tudo aquilo que lhe ia na alma, e que ele não podia transmitir por palavras. Um mundo de cor, de imagens em movimento, de personagens e decors imaginados, mas mais reais que a realidade do comum dos mortais.
Muitos pensavam que ele não compreendia o que o rodeava, mas estavam completamente enganados. O Vincent percebia o que todos viam e aquilo que só poucos tinham a sensibilidade para captar.
Sempre estive com o Vincent e assisti ao desenrolar dos seus ainda poucos, mas intensos, anos de vida marcados pela doença e por muita pintura.
A sua mãe rezava pela sua cura e ensinava o Vincent a rezar.
Foram os dois a Fátima, em peregrinação, duas vezes, acompanhados pelo pai do Vincent. Na primeira vez, tinha o Vincent três anos, e na segunda, quatro. Na primeira viagem, sua mãe consagrou o seu filho à Virgem suplicando-lhe que o curasse. A segunda viagem fez parte da promessa, que a sua mãe tinha formulado da primeira vez em Fátima e ocorreu em agradecimento de uma grande graça concedida ao Vincent. Tal promessa consta de uma terceira parte que virá a ser cumprida depois do Vincent começar a falar.
O Vincent gostou muito de Fátima. Adorou a procissão das velas, os cânticos, o badalar dos sinos e todo o ambiente de devoção. Achou a imagem da Virgem muito simpática e apreciou a recitação do terço em várias línguas. Conheceu toda a história de Fátima no Museu de Cera. Felizmente, os pais lhe ofereceram-lhe uma cassete vídeo sobre Os Três Pastorinhos, que o Vincent viu e reviu dezenas de vezes.
Todos os anos, o Vincent assistia, pela televisão, às cerimónias de Fátima do mês de Maio, recordando com saudade os momentos que lá tinha passado com os pais, e esperando pacientemente pela terceira vez que iria lá voltar.
A mãe do Vincent falava-lhe muitas vezes de Jesus e de sua Mãe Maria. Todos os dias rezava o terço meditado com o Vincent, relembrando os momentos principais da vida de Cristo. O Vincent sabia de cor todos os mistérios. Como a sua mãe também lia a Bíblia diariamente, o Vincent conhecia os episódios mais importantes do Antigo e do Novo Testamento. Mas a parte que ele preferia dizia respeito a Moisés, quando da travessia do Mar Vermelho pelo povo hebreu. No filme “Moisés, O Príncipe do Egipto”, quase que colava a cara à televisão durante a cena da “Separação das Águas”.
Para mostrar à sua Mãe, e a todos que compreendia tudo aquilo que ela lhe contava, o Vincent decidiu pintar sobre a vida de Jesus, de Maria e de Moisés. Traduziu em quadros as estâncias do terço que mais o impressionaram, como a “Anunciação”, “A Apresentação do Menino no Templo”, ou ainda a “Coroação de Espinhos”, a “Crucificação” e o “Calvário”. Invocou o “Único Mandamento” e o “Cálice da Aliança”. Retratou “As Três Divinas Pessoas”, e “O Divino Mestre”. Interpretou a “Súplica do Anjo”, e revelou o “Anjo Azul” e o “Anjo Vermelho”. Por fim, mostrou o que há-de vir… a “Purificação”, o “Homem Cósmico”, “Um Novo Céu e Uma Nova Terra”, um novo Mundo… de Paz, de Amor, onde a doença e o ódio não existem.
E foi assim que o Vincent realizou as vinte e seis obras que constituíram a sua oitava exposição de pintura. Dedicou-a ao Menino Jesus no “Presépio de Belém”, e pediu-lhe uma prenda no Natal de 2003… que o levasse novamente a Fátima.
Anjo Azul